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Oficina Uma Ecologia do Cinema

Para semear novos mundos

Grizzly Man, Werner Herzog

Uma perspectiva ecológica sob o cinema.

Iremos sobrevoar, mergulhar e caminhar sentindo entre pele e película o universo ecológico através da forma cinematográfica, a partir de uma abordagem não interpretativa, como descrito por Susan Sontag. A ideia será explorar os possíveis desdobramentos que emergem desse (re)encontro entre arte e ciência, reconhecendo-o como essencial para construir uma sociedade mais equilibrada e sustentável na contemporaneidade.

Em um contexto marcado pelas mudanças climáticas, fruto de um afastamento humano do pensamento em estado selvagem, a oficina tem como foco semear subjetivamente e ecologicamente a consciência e o espírito dos participantes. Este esforço busca reintegrar-nos a tudo que é vivo, bem como ao ambiente compartilhado, refletindo precisamente os ideais fundamentais do estudo ecológico.

Tudo mediado por uma curadoria especial de filmes que encarnam modos ecológicos de ver e sentir o mundo.

Uma seleção que atravessa gêneros e sensibilidades: de filmes-catástrofe de tirar o fôlego a meditações artísticas; de experiências românticas na natureza a ficções científicas surpreendentes. Desde o material de arquivo de um homem que decidiu viver entre ursos selvagens até um ensaio cinematográfico sobre a comunicação das plantas; de um filme construído a partir de asas de mariposa até a história de um indígena Mbyá-Guarani que, após sua morte trágica, se torna onça.

Iremos mergulhar nesse universo vasto e pulsante, onde cada obra abre uma nova possibilidade de imaginar outros mundos possíveis, e outras formas de estar neles.

Local: Espaço Cultural Baukurs - Botafogo

Data: À definir

Horário: Aulas noturnas em dias a confirmar via formulário.

Still de Grizzly Man - Werner Herzog.

Still de A Queda do Céu – Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha

O que você vai aprender?

  •         Como o cinema se relaciona com sonhos, mitologias e imaginários coletivos.

  •         Ecologia como modo de ver e pensar imagens.

  •         Relações entre antropologia, estética e pensamento decolonial.

  •         Como desenvolver um olhar sensível para a natureza e para a vida cotidiana.

  •         Métodos de criação audiovisual a partir da observação, do escutar e do sonho.

  •         Exercícios práticos de percepção.

Sobre a Oficina

  • ·        Aulas presenciais com troca direta entre participantes.

    ·        Materiais complementares: textos, links e referências audiovisuais.

    ·        Propostas de exercícios semanais (opcionais).

    ·        Grupo online para dúvidas e acompanhamento.

  • ·        Pessoas interessadas em cinema, artes e ecologia.

    ·        Estudantes, artistas, educadores e curiosos.

    ·        Quem busca sair do lugar-comum na análise fílmica.

    ·        Aqueles que procuram um espaço de troca e experimentação sensível.

    ·        Não exige pré-requisitos.

  • A turma será pequena para permitir trocas próximas e acompanhamento individual. Os encontros terão 2 horas de duração, com momentos de exposição teórica, análise fílmica, discussão coletiva e exercícios práticos (opcionais).

  • Como uma "explosão celular", a ideia é fazer do cinema um catalisador de relações afeto-ecológicas – como uma semente dentre outras que é lançada sobre solo fértil, ou organismo celular que se subdivide em outros. Gosto de pensar na oficina como uma célula com potencial de multiplicação, um ponto de partida vital, um "mito-cinema" cujo efeito rizomático estimula uma rede de reflexões e ações que vão além das paredes da sala de projeção, resultando em artistas mais integrados e cientistas mais criativos.

    Nossa oficina é um convite à sensibilização e à ação, reconhecendo o poder transformador do cinema para impactar o imaginário. Ao explorar os efeitos das ações humanas no meio ambiente, buscamos formar um público consciente das questões ecológicas, promovendo uma visão moderna do cinema como uma ferramenta artística expressiva e potente. Nesse sentido, incentivamos a imaginação, a percepção e o sentimento de mundo.

Programa

Encontro 01: Sonhos

Investigar o cinema como extensão dos sonhos coletivos, como ferramenta de encantamento e ritual sensível. Questionar como a linguagem cinematográfica, para além do conteúdo, pode operar como prática ecológica, afetiva e contra-hegemônica.

Encontro 02: Ecologias e Decologias

Compreender as relações entre natureza e cultura a partir de perspectivas antropológicas, como Lévi-Strauss e Viveiros de Castro, e relacioná-las com autores indígenas e quilombolas, como Krenak e Bispo. Explorar como o cinema pode espelhar ou tensionar essas relações, propondo uma escuta sensível das ecologias vivas.

Encontro 03: Semear Futuros, Cinema Rizoma

Como mito e ciência se reconectam através do cinema. Discutir o que costumam separar o cinema documental da ficção e quais seriam de fato essas distinções entre o inventado e o real, assim como o estigma do cinema documentário ser relegado muitas vezes ao jornalismo ou ao cientificismo barato.

Encontro 04: Cinema da Distopia - Como adiar o fim do mundo

Questionar o paradigma ocidental de “ecologia” e visões apocalípticas a partir do cinema distópico e dos saberes decoloniais. Investigar como o cinema pode transformar o colapso em criatividade e imaginar mundos possíveis: adiando, reconfigurando ou recodificando o fim do mundo.

Contribuição e bolsas

A oficina é independente, e a contribuição dos participantes viabiliza o espaço, materiais, o trabalho de facilitação e o fundo de bolsas. Quero criar um ambiente acessível e também sustentável. Por isso, a contribuição funciona em três faixas — você escolhe a que melhor condiz com sua realidade.

Valor ideal — R$ 300

Quero pleitear uma bolsa (destinada a pessoas com dificuldade de acesso)

*Filmografia Selecionada*

Bibliografia

CONVERSA NA REDE. Ailton Krenak e Eduardo Viveiros de Castro. [S.l.: s.n.], [ano não informado].

CURSO Filosofia e Ecologia para pensar além do senso comum, com Rodrigo Petrônio. São Paulo: Casa do Saber, [ano não informado].

CURSO Masterclass de Werner Herzog. [S.l.: s.n.], [ano não informado].

HARAWAY, Donna. Ficar com o problema: fazer parentes no Chthluceno. Tradução [se houver]. São Paulo: Editora n-1, 2020. (ano estimado da edição brasileira; original: 2016)

KRENAK, Aílton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

KRENAK, Aílton. A vida não é útil. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.

KRENAK, Aílton. Futuro ancestral. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.

LABAKI, Amir. A verdade de cada um. [S.l.: s.n.], [ano não informado].

LÉVI-STRAUSS, Claude. Raça e história. In: LÉVI-STRAUSS, Claude. Antropologia estrutural dois. Tradução de [se houver]. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1976. (ano indicativo)

MANCUSO, Stefano. A incrível viagem das plantas. Tradução de [se houver]. São Paulo: Ubu Editora, 2019. (ano estimado)

MORTON, Timothy. Ecology Without Nature: Rethinking Environmental Aesthetics. Cambridge, MA: Harvard University Press, 2007.

MORTON, Timothy. Hyperobjects: Philosophy and Ecology After the End of the World. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2013.

MORTON, Timothy. All Art is Ecological. Londres: Penguin Random House, 2021.

NICHOLS, Bill. Introdução ao documentário. Tradução de [se houver]. Campinas: Papirus, 2005. (ano indicativo da edição brasileira)

SANTOS, Antônio Bispo dos. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu Editora / PISEAGRAMA, 2023. (ano estimado)

SONTAG, Susan. Contra a interpretação. Tradução de Ana Maria Capovilla. Porto Alegre: L&PM, 2020. (ano indicativo)

TSING, Anna Lowenhaupt. "Unruly Edges: Mushrooms as Companion Species". In: Environmental Humanities, vol. 8, nº 1, 2016, p. 1-17. (artigo — formato corrigido)

XAVIER, Ismail. A experiência do cinema: antologia. Rio de Janeiro: Graal / Embrafilme, 1983. (ano indicativo; título completo sugerido)

"A razão cria monstros"

— Francisco Goya