Fronteira
Brasil, 2017 - em andamento
Fronteira é um projeto fotográfico que investiga a intersecção entre corpo e natureza, tensionando essa relação através da imagem. Em celebração à eterna reciclagem da matéria biológica, "a terra dá, a terra quer", tudo é transformado pelo tempo na paisagem, seja humano ou não-humano. A fotografia torna-se um meio de sentir mais do que compreender, capturando a divisão entre a lógica e a força incontrolável da natureza, sendo a própria imaginação uma das mais contundentes dessas forças. O que separa o mundo concreto, o olhar e a dimensão dos sonhos?
As imagens que componho procuram revelar fragmentos de um mundo em constante metamorfose. Esses elementos, registrados em fotografia analógica, são materializados num conjunto que conectados à pesquisa antropológica, questionam a tendência moderna de separar o corpo da natureza, olho do espírito.
A fotografia, nesse contexto, transcende a mera captura da realidade para se tornar um recorte potencializador do cotidiano, conferindo um caráter épico a elementos banais. Ao enfatizar a força dos acontecimentos e sensações táteis, a imagem fotográfica age como uma extensão dos sentidos, transformando-se em um elo entre o efêmero e o palpável. A imagem se impõe como um diálogo entre o natural e o artificial.
Essa investigação visual se ancora num conceito que reflete a resistência da matéria ao tempo e a transformação contínua dos corpos e estruturas - sendo corpo: natureza, o que não é natureza? A fotografia se manifesta como um processo de ressignificação do mundo, aproximando-se do ato de sonhar. A escolha do analógico reforça essa poética, estabelecendo um vínculo entre a temporalidade dilatada e a substância do processo, resgatando a atenção ao detalhe e contrapondo-se à produção acelerada e descartável do digital. Esse método também carrega o valor da imprevisibilidade, da perda e da necessidade de uma reprodução exata de um instante, tornando-se um reflexo da fragilidade e da fluidez do tempo